Kiko Mizuhara: a sexta integrante do Five Fab do Queer Eye!

Já viu Queer Eye: Luz, Câmera, Japão!? A nova temporada de Queer Eye está em Tóquio e é curtinha, 4 episódios. Mas é tudo porque acrescenta na fórmula dessa versão Netflix do Queer Eye (transformação também interna, autoestima etc. e tal) o elemento do choque cultural. Como eu já disse aqui antes, a cultura japonesa e oriental no geral valoriza mais a coletividade do que a individualidade. Para o bem e para o mal: muita gente se sente anulada enquanto indivíduo. E também existe um sentimento de solidão muito forte - em Tóquio trabalha-se muito e socializa-se pouco, bebe-se demais como válvula de escape e, se você perder o trem, acaba dormindo em um hotel-cápsula, praticamente uma gaveta na parede. Incel lá é normal, cada vez menos gente casa e tem filho, quem tem filho tem só um, a taxa de natalidade vai caindo… Por aí vai. Lá é normal ter um balcão de restaurante voltado para a parede: é para você comer sozinho, olhando para o nada.

Mas tem coisas boas no Japão também, tá? kkkkkkkk

Bom, quem assistiu reparou que existe uma mulher no elenco fixo. Kiko Mizuhara serve como ponte, uma espécie de tradutora cultural, cis e hétero porém simpatizante, linda, tipo uma Maki Nomiya para 2019!

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As participações da Kiko são meio forçadas nesses epês. Às vezes parece que eles não sabem direito o que fazer com ela. Deviam ou ter assumido que ela era parte essencial e adicionado a fofa mais vezes, ou o jeito era deixá-la numa espécie de quadro fixo e pronto. Só no começo, por exemplo, para explicar e contextualizar melhor a questão de cada indicado no programa por causa das diferenças culturais entre ocidente e o Japão.
Mas de qualquer forma dá para ver que Kiko já é uma celebridade pela reação do Kan no episódio 2, quando o Karamo fala para ele que eles vão encontrar a Kiko. A bi fica empolgadérrima!!! Então porque deixar a moça tão subaproveitada?

Bom, a Kiko é famosa SIM. Lembra, por exemplo, do clipe de I Feel It Coming do The Weeknd?

Você quer capas de revista? Eu te dou.

Tá bom assim?

Kiko é americana e é filha de coreana com norte-americano. Nasceu no Texas mas se mudou muito pequena para o Japão. Ela já assinou coleção-cápsula para a Opening Ceremony, trabalhou como embaixadora da Dior e da Coach, participou de filmes como Norwegian Wood (de 2010, baseado no livro de Haruki Murakami). E cantou!

Herdeira do Shibuya-kei sim!!!
Resumindo, Kiko é tudo.

Para finalizar, um lamen lisérgico para abrir o seu apetite:

We love you, P5!

Talvez você só conheça isso:

E tudo bem, eu também só conhecia isso no começo. Foi aí que conheci o Pizzicato Five, a banda que diziam que era uma versão japonesa do Deee-Lite (que eu adorava).
Mas não era bem assim.

Keitarō Takanami, Maki Nomiya e Yasuharu Konishi , que se convencionou como a formação clássica do Pizzicato Five

Keitarō Takanami, Maki Nomiya e Yasuharu Konishi, que se convencionou como a formação clássica do Pizzicato Five

Assim como todo mundo, o Pizzicato Five tem um passado. Ele foi formado em 1979 pelos membros fundadores Yasuharu e Keitarô ainda na universidade, e contava com mais 3 integrantes (daí vem o Five do nome). Mas na primeira gravação já tinham sobrado só quatro: os dois fundadores mais Ryō Kamomiya e Mamiko Sasaki. E adivinha quem produziu e lançou o primeiro EP deles? Nada menos que a lenda Haruomi Hosono, membro das bandas Happy End (que já contei aqui que é uma das minhas preferidas do mundo) e Yellow Magic Orchestra. O EP já trazia bastante do que o Pizzicato Five seria, mas não tudo: era o Audrey Hepburn Complex, e foi lançado em 1985.

Ou seja: já tinha referências vintage dos anos 1960, esse ar fofinho misturado com camp que só o P5 sabe fazer (?!?), uma vocalista que deveria ser cheia de pose (Sasaki não segura muito a onda, mas tinha potencial), um cuidado especial com o material de divulgação (clipe, álbuns, cartazes).
Um tempo depois, em 1987, o P5 lança o álbum Couples, que eu na minha opinião suspeita de grande fã acho uma maravilha, mas flopou.

É meio Carpenters, meio chanson, meio lounge music. Sou o feliz proprietário de uma unidade de um relançamento em vinil desse álbum. #fissuradinho
Depois dele, Kamomiya e a vocalista Sasaki saem. Quem entra é, surpresa, Takao Tajima, nada menos que o vocalista do Original Love!
Não entendeu nada, né? Bom, eu te garanto, Original Love é TUDO.

Sempre me lembrou o Jota Quest do começo, o que é uma coisa boa, que fique claro. Esse namoro com o soul, meio… artista da Trama, sabe? E essa nem é a minha música preferida do Original Love. É essa aqui:

Voltando: Tajima se dividiu entre o P5 e o Original Love uma época. Essa música, por exemplo, é dessa fase:

É estranho ouvir Pizzicato Five com uma voz masculina, né? Mas acho legal, também!
Acontece que, pelo que dá para perceber nas vendas, o povo não achou tão legal assim…

Em 1990, começa a mágica: Tajima decide se dedicar ao Original Love e entra Maki Nomiya. A formação mais clássica do Pizzicato Five, um trio, estava em ação. E mais clássica porque:
1. Em 1991 eles lançam o álbum This Year's Girl, que conta com o hit internacional Twiggy Twiggy que a gente viu no começo desse post;
2. É a partir desse momento que começam os comentários e maravilhamentos sobre o chamado Shibuya-kei!

Mas o que é Shibuya-kei?

Um movimento? Uma cena? Um gênero musical? Uma estética?
Shibuya é um bairro de Tóquio bastante comercial, cheio de moda, movimento e vida noturna, com unidades das lojas Tower Records e da HMV (para quem não sabe, no Japão a indústria de CD segue firme e forte!). Não sou tão fã de Shibuya - prefiro Shinjuku, que é central mas menos posudo, ou Asakusa, que lembra um Japão mais tradicional, ou Harajuku, com sua mistura kawaii-fashion-armadilha-de-turista.
(Na verdade prefiro mesmo é Osaka, a outra cidade… kkkkkkk)

O Shibuya-kei nasceu em Shibuya e agrupa bandas e artistas que gostam de uma estética meio kitsch, meio montação, meio era Showa em versão atualizada, meio música pop ocidental. Pense em Serge Gainsbourg com Jane Birkin, as melodias doces de Burt Bacharach, a orquestração de Phil Spector e do Beach Boys de Brian Wilson. Só que nipônico! No fundo, o P5 já era tudo isso. Acrescentou-se a cultura do sampler, do mixer, do cut-copy. Bem pós-modernasss! Outros que tinham essas referências em comum se juntaram a eles. Caso do Flipper's Guitar, que existiu por pouco tempo mas tem fãs fervorosos.

Depois do Flipper's Guitar acabar, um dos integrantes, Keigo Oyamada, seguiu solo assinando como Cornelius. E virou uma das maiores referências do Shibuya-kei.

O conceito elástico do Shibuya-kei inclui o próprio Original Love, as lindas do Cibo Matto (que na verdade foi formado em NY!), o DJ Fantastic Plastic Machine e o Buffallo Daughter. Tem quem inclua até o Dimitri from Paris (e sinceramente, para mim, faz sentido).

Voltando ao This Year's Girl. Já estava quase tudo lá. A voz (e a pose) de Nomiya, a figura dela como musa num comentário engraçado e estilizado sobre a cultura da celebridade, as referências sessentistas, a aura cool, o foco no individualismo sendo que a cultura japonesa tende a valorizar o coletivo (a faixa 2 é I, em que a vocalista fica explicando como ela é na letra, a faixa 3 é Ohayo, bom dia em japonês, tipo uma versão blasé de Cotidiano?! kkkk).

Existe essa tendência japonesa a achar tudo que é ocidental mais cool. Mal sabem eles… This Year’s Girl é um discão: Baby Love Child, Thank You, Party (regravação de música do repertório solo de Hosono lançada por ele em 1973) - tudo é fácil, pop. A maioria das músicas originais são de autoria de Konishi.

Uma curiosidade: Twiggy Twiggy é composição de Nanako Sato. E existe… uma primeira versão. De um disco solo de Maki Nomiya. De 1981!!!

A versão do Pizzicato Five é bem mais animadona, e ganhou um "epílogo” instrumental de autoria de Konishi que dá todo um charme a mais e se chama Twiggy vs James Bond. A versão que a gente conhece são as duas músicas juntas!
Nanako, que é uma artista bem interessante, um dia desses regravou Twiggy Twiggy. Legalzinho. Mas acho mais legal o álbum Funny Walkin’ dela, de 1977! Pop disco jazz divertido, roquinhos inocentes, músicas com forte gosto retrô na boca (tipo o que a Rita Lee fez depois com Flagra, Só de Você e outros pops abolerados dela, e de certa forma também é o que o Pizzicato Five também faria algumas vezes).

Em 1992, chega o novo álbum Sweet Pizzicato Five e, com ele, o último elemento que faltava para a essência do grupo: o namoro com a música eletrônica. É por isso que existiam comparações com Deee-Lite, sacou? A primeira música do álbum é Tout Va Bien:

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Capa e outra capa!

Nomiya abusava das perucas e montações, a identificação com a cena clubber foi imediata!

Também são dessa época duas músicas bem conhecidas que saíram em single: Sweet Soul Revue e Tōkyō wa Yoru no Shichiji (que fora do Japão virou The Night is Still Young e quer dizer Tóquio às 7h da noite). Ambas são uma delicinha, mesmo:

E aí começaram a sair as compilações da americana Matador Records. Se eu estou bem lembrado (provavelmente não, mas enfim), tinha lido em algum lugar essa comparação com Deee-Lite e, na Rua 24 Horas de Curitiba (?!??) tinha uma loja de CDs. Em uma viagem, vi a coletânea Made in USA na vitrine e comprei - ou fiz minha tia comprar? Sei lá. Foi amor - e vício - à primeira vista. Já gastei muito dinheiro com o P5. Foram CDs importados, singles, praticamente qualquer coisa que tivesse uma imagem da Nomiya!

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Cheguei a fazer um amigo por correspondência que morava nos EUA e que me mandava mix tapes com músicas do P5 (nunca o encontrei ao vivo). E quando Maki Nomiya veio para BH participar de um show da Fernanda Takai eu não pensei duas vezes - fui (obrigado mais uma vez Flavia Durante pela credencial alcançada). Tem uma história muito engraçada sobre isso: fui para Congonhas pegar o avião e lá vi uma mulher toda posuda de cabelo preto, com uns óculos escuros grandões, um lenço estiloso na cabeça e uma entourage. Pensei "MEU DEUS DO CÉU, SÓ PODE SER A MAKI NOMIYA". Fui chegando perto e fazendo uma cara de paisagem, como quem não quer nada. Mais perto. Mais perto. Mais perto. E aí ouvi a mulher falando.

A voz não deixava dúvidas.
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Era a Marisa Monte.

Sim, confundi a minha cantora japonesa preferida com a Marisa Monte.
Ah, a miopia… kkkk

Em 1994, Takanami saiu e o trio virou dupla. Em seguida, apareceu um dos meus álbuns preferidos do P5, Overdose, que é inspirado em NY. Entre as músicas, essa:

Soul delicioso! Também tem várias outras tipo On the Sunny Side of the Street e o rock Superstar:

1995 viria com o álbum Romantique 96, que sinceramente não acho tão forte apesar de ter coisas como Tokyo Mon Amour, The Sound of Music, Triste e Nata di Marzo. Em algumas músicas, ele me parece antecipar a vontade de voltar ao pop dos anos 1960 mas agora com referências menos kitsch, que são levadas mais a sério, tipo… bom, vamos falar logo: tipo Beatles. Se você pensar bem, olhando agora com distância, o P5 estava fazendo o seu próprio britpop, que era mais pop. Meio Abbey Road, meio álbum branco e mais McCartney e Harrison que Lennon.

Ah, e a oitava faixa é Contact, uma versão da música de Brigitte Bardot composta por Gainsbourg! Acho um charme, e era a cara dos anos 1990 o indie ouvir Gainsbourg, lembra? A versão original segue abaixo:

A partir daí, P5 lançou alguns singles e EPs ótimos mas, na minha opinião, o encanto começou a se quebrar. :( Mas calma - teve o single Baby Portable Rock em 1996:

E teve a Sister Freedom Tapes no mesmo ano, que é total Beatles e eu AMO:

Acho todo o resto que veio depois redundante e pior - desculpa para quem adora Happy End of the World e Playboy Playgirl, para mim é meio bobagem. Bobagem gostosa, mas bobagem. kkkkkk
PORÉM o último álbum, Çà et là du Japon, saiu em 2001 e é bem interessante por ser diferentão. Uma homenagem ao Japão no inverno (?? kkkkk), ele já traz poucas músicas com Nomiya e vários convidados, como Bertrand Burgalat. Fico encantado também com a versão de AIUEO, originalmente do seminal álbum Kazemachi Roman da banda Happy End, em uma pegada bem bossa nova. E Gotta Call’em All!? Sim, é uma versão da música de Pokémon. QUENDA!

Parece que tá rolando uns relançamentos de Pizzicato Five recentemente.

Tem pouquíssima coisa deles no Spotify, mas Nomiya em si continua firme em sua carreira solo. Um de seus álbuns, de 2014, resgata sucessos do… Shibuya-kei! Tem coisas do Pizzicato Five, tem a música que gosto do Original Love... Adoro.

E chega, que já tá bão demais, né?

Tchau!

Tchau!

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Midnight Diner voltoooooou - e eu não consigo pensar em outra coisaaaa

(Mentira, até consigo, mas fiquei empolgado demais)

Você já assistiu ao Midnight Diner? A série da Netflix é MUITO legal.

Kaoru Kobayashi  faz o papel do Master, o dono e cozinheiro do izakaya que aparece em todos os episódios

Kaoru Kobayashi faz o papel do Master, o dono e cozinheiro do izakaya que aparece em todos os episódios

Baseada no mangá de Yarō Abe, ela se concentra num izakaya que fica em Shinjuku, o bairro central de Tóquio, que só abre da meia noite às 7 da manhã. Por lá passam diversos tipos, e as histórias dessas pessoas vão sendo retratadas a cada episódio. O mais legal: a grande maioria das histórias tem sua conclusão no mesmo episódio, ou seja, não precisa maratonar, não te dá ansiedade de terminar, é para assistir um episódio por vez e ficar zen. Delícia!

Existem, na verdade, mais três temporadas anteriores às duas que estão disponíveis na Netflix, pelo que entendi. Nunca corri atrás - na verdade descobri isso agora - e fiquei curioso! A série também ganhou adaptações chinesa e coreana, que parece que não fizeram tanto sucesso quanto a japonesa pois só tiveram uma temporada cada.

A adaptação chinesa com Huang Lei

A adaptação chinesa com Huang Lei

A versão coreana, chamada  Late Night Restaurant , com Kim Seung-woo

A versão coreana, chamada Late Night Restaurant, com Kim Seung-woo

Toda história tem um prato específico que aparece e serve como pano de fundo, então ela demonstra como a culinária japonesa do dia a dia é muito mais do que sushi. Aliás, nunca vi sushi no Midnight Diner, acho que o Master não faz!

Em pegada totalmente diferente mas que também tem a ver com comida, também estreou a nova série Café, Almoço e Jantar com o meu chef queridinho David Chang. Ele vai para lugares diferentes pelo mundo, cada vez com uma celebridade, para conhecer a comida e a cultura do local. O primeiro episódio, em Vancouver com Seth Rogen, serviu para me lembrar como acho o Rogen um tonto. Affffe. Recomendo começar pelo segundo, com a Chrissy Teigen em Marraquexe. Bem mais legal!

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E essas são as dicas de como passar o fim de semana assistindo TV e pedindo delivery! Tchau!

O mundo não vai para a frente porque as pessoas não valorizam o fato de viverem na mesma época de BABYMETAL

Eu tenho duas palavras para você:
BABY
&
METAL.
O que você imagina o que isso significa?

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Er, não exatamente. Mas também é mais ou menos isso. kkkkk
Antes de explicar, queria dividir esses links com vocês para vocês entenderem melhor essa mistura do Brasil com Egito; ou melhor, essa mistura do kawaii com o metaleiro. Seguem:

O que é kawaii?
O lado dark do kawaii
Pink ou Punk: a banda que quer democratizar o kawaii
Notícias estranhas do mundo Hello Kitty

Acho que para começar já está bom. Também gostaria de dedicar esse post para Fernandaxannn, a maravilhosa do Hollywood Forever TV,, que deve ser a minha única amiga que admira tanto o Babymetal quanto eu.
Então lá vamos nós.

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Essa aí de cima é a formação original do Babymetal, de 2010. Yuimetal saiu em 2018, e agora a banda acaba de lançar um novo álbum chamado Metal Galaxy como dupla.

E sim, se você está se perguntando, elas fazem a linha Ramones: todas assinam com Metal no fim do nome. Sumetal e Moametal mais Yui surgiram numa mistura da cultura de idols japonesas e heavy metal na instrumentação.
Não sabe o que é idol? Então vamos voltar ainda mais a fita…

Na década de 1970, estreou no Japão o filme francês com Sylvie Vartan Cherchez l’Idole (1964).

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A premissa da história é até um pouco parecida com Help! dos Beatles, que sairia só em 1965: um personagem esconde um diamante em um violão que está na loja de instrumentos musicais, mas quando volta para pegá-lo, descobre que o violão foi vendido. Também parece com o longa Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa. Ou seja, essa coisa de tesouro, música e perseguição talvez renda uma tese de mestrado!
Mas o filme nem importa tanto. O que interessa é a própria Vartan, que lançou a música La Plus Belle Pour Aller Danser com o longa. No Japão, o filme foi lançado sob o nome Aidoru o Sagase. A música vendeu pencas. E em seguida a indústria do entretenimento japonesa notou uma oportunidade que poderia ser preenchida com garotas jovens de look romântico cantando música pop. Adivinha como eles batizaram essas meninas? Aidorus - ou idols, em inglês.

O single que vendeu pencas

O single que vendeu pencas

Você já ouviu essa música? Talvez tenha ouvido e nem se lembra! Vem:

A partir daí, surgiram várias aidorus que para mim são a estética da era Showa! Fofitas, de cabelo todo no lugar, um mix de inocência e sensualidade. Da década de 1970 para frente, o Japão teria não só uma namoradinha, como a gente com Regina Duarte, e sim várias. Olha algumas que eu gosto:

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Momoe Yamaguchi

Que gracinha! Yamaguchi foi famosa por quase toda a década de 1970

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Miho Nakayama

Fez mais sucesso entre os anos 1980 e 1990, acho os looks babadeiros

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Seiko Matsuda

Minha preferida por motivos de OLHA ESSE CABELOOO

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Yukiko Okada

Outra que gosto por motivos de cabelo. Ela tem uma história muito trágica: se suicidou em 1986, em circunstâncias misteriosas

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Junko Sakurada

A amiga & rival de Momoe Yamaguchi tem controvérsia forte em sua história: acabou casando na Igreja da Unificação do coreano Sun Myung Moon em 1992 e a partir daí sua carreira minguou

Para quem não conhece a Igreja da Unificação, essas cerimônias de casamento em massa organizadas pelo reverendo Moon juntam casais de jovens… que simplesmente não se conheciam antes.
É isso mesmo.
E diz Sakurada que está muito feliz. Segue casada até hoje.

Oh, well…

Confesso que analiso mais a comunicação visual das aidorus do que a música. Acho tudo um j-pop bem rasteiro, não consigo diferenciar uma da outra no quesito estilo - e provavelmente meu amigo Eduardo Maekawa vai xingar a mim e todas as gerações posteriores ao ler isso, mas FAZER O QUÊ, MENTIR EU NÃO VOU, PESSOAL.

Achar que a história das idols é um mar de rosas seria bem ingênuo, como já deu para perceber. Suas vidas são bem controladas, mais ou menos como acontece de maneira bem mais leve com as estrelas de k-pop hoje. Tudo o que você imaginar acontece: assédio, escândalos, drogas, a artista não pode namorar para alimentar o sonho dos fãs, a artista precisa namorar com a pessoa certa (que obviamente não é a que ela escolheu), colapso nervoso de tanto trabalho e estresse… Se hoje a coisa está um pouquinho mais liberal, reforço que existe uma conversa sobre pedofilia em torno dessa realidade das idols que as pessoas ficam fingindo que não perceberam.

Fui ao restaurante temático de um dos maiores grupos de idols atuais, o AKB48 (o nome é uma homenagem ao bairro de Akihabara em Tóquio e o número se refere à quantidade de integrantes da banda, 48 meninas que se revezam nas apresentações pelo país). A gente se assustou com o público: no lugar de garotas que imitam famosas, nos deparamos com uns salary men! Para quem não sabe, salary men é tipo “a galera do escritório”, mas são só homens. Engravatados. De meia idade. Num restaurante temático de uma banda de meninas!
Para quem quiser se aprofundar no assunto, recomendo o documentário Tokyo Idols - tem na Netflix.

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Assistam!

É bem bom!

A cena do heavy metal japonês, em contrapartida, não é de hoje. O visual kei, uma coisa meio glam rock andrógina montadérrima em versão nipônica, existe desde os anos 1980. Parece-me que o visual kei foi essencial para o desenvolvimento do Babymetal, exemplificado por grupos como X Japan.

TUDO, né??? Eu axu!

TUDO, né??? Eu axu!

Tanto o visual kei quanto o BabyMetal caminham nessa linha de um heavy metal bem comercial - não é à toa que eu trouxe o Kiss para a conversa no começo do post. É pesado sim, mas envelopado da maneira mais marketeira possível. Bom, não tem como ser mais marketeiro ao inventar uma banda de heavy metal com garotas fofas cantando sobre chocolate, certo? Pop demais!

Nada de gírias tipo Tim Maia, que chamava maconha de chocolate (por isso a música dele, regravada por Marisa Monte). O hit do Babymetal Gimme Chocolate!! pede por chocolate, o doce mesmo, simples assim.

E é delicioso.

Existem variações pós-Babymetal. Uma das mais interessantes é a LadyBaby, de 2015, que contava com Richard Magarey, australiano mais conhecido como Ladybeard. Dá uma olhada…

Vou te dar um tempo para você se recuperar.

Nippon Manju é praticamente um jingle que estimula o turismo japonês, fala de doce (como o hit do Babymetal) mas um doce tipicamente nipônico (o nippon manju em si), tem um fortão cabeludo de voz infernal cross-dresser, tem coreografia…
É um babado.
Hoje o LadyBaby segue com outra formação (sem homens vocalistas) e Ladybeard tem uma dupla com Reika Saiki, que é uma menina com tudo de aidoru mas é fortona (!?). Eles são o Deadlift Lolita, que já veio para o Brasil na feira Anime Friends duas vezes (2018 e 2019).

Que tal?

Que tal?

Bom, depois disso, a personagem da Sanrio Aggretsuko, uma pandinha vermelha que trabalha num escritório e descarrega as mágoas do proletariado cantando heavy metal no karaokê, parece até algo bem comum. Falei mais de Aggretsuko, que conta com série na Netflix, nesse post aqui.

É isso. Prestigie o kawaii-metal, que é como as pessoas andam chamando tudo isso. <3 <3 <3

Se você chegou até aqui, talvez também se interesse pelo post de bubblegum pop!

É hora de Sailor Moon

Oh, sim, pelo poder do prisma lunar!

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Sailor Moon apareceu primeiro em mangá, uma criação de Naoko Takeuchi que foi publicada entre 1991 e 1997. Mas você provavelmente a conhece em sua versão anime, produzida entre 1992 e 1997 pela Toei. Ainda contou com uma versão live action entre 2003 e 2004 (???) e uma nova série de anime entre 2014 e 2016. Dizem que essa nova versão é um reboot mais fiel ao mangá do que à primeira série de TV.
E esse live action é tão bizarro que deve ser maravilhoso:

Agora, a notícia é que esse reboot vai ter um longa, a ser lançado em 2020 e que funcionaria como a 4ª temporada do anime. O nome do longa é algo como Sailor Moon Eternal.

No fim de agosto saiu uma coleção de camisetas da Uniqlo com licenciamento Sailor Moon, comemorando o 25º aniversário da heroína. “Mas o 25º aniversário do mangá não foi em 2016? E do anime não foi em 2017?” Ai, sei lá, não faz pergunta difícil. Gostei de duas peças:

Outras marcas também lançaram licenciamentos recentes, como a americana Target e a japonesa Isetan. Minha opinião: tudo meio brega.

Outras coisas legais do mundo Sailor Moon ultimamente?
Bom… você já ouviu o Sailor Moon Remix, reggaeton da Yuranis Leon? É muito ruim, ouça por sua própria conta e risco:

Alguém avisa essa mulher que a Sailor Moon e a Barbie são coisas diferentes?

Para quem gosta de dioramas (que é a representação de um cenário ou local em tamanho miniatura): vai estrear o maior parque de dioramas do mundo em Tóquio, o Small Worlds Tokyo. Ao mesmo tempo que soa esquisito, é muito instigante observar dioramas, você devia experimentar. kkkkk Num espaço enorme vai ter diorama de bairros de Tóquio, do aeroporto de Kansai (que é uma área aterrada no mar, sabia?), e também a cidade Neo-Tokyo 3 de Evangelion e da Sailor Moon: a Tóquio do mangá e anime e a Tóquio do século 30 que é de onde a personagem Chibiusa veio.

Ops, acho que vi um Tuxedo Mask logo ali

Ops, acho que vi um Tuxedo Mask logo ali

Como os japoneses adoram um restaurante temático, agora eles também tem um restaurante da Sailor Moon chamado Shining Moon Tokyo.

Uma graça, né? Mas digo logo, com a experiência de quem já foi no restaurante do museu do Snoopy, no do AKB48 e outros: a comida é totalmente instagramável e totalmente sem gosto. <3 Acontece!

E se você gosta de coisas kawaii, confira esses outros posts desse blog que vos fala:

Memória afetiva
O que é kawaii?
A rainha & a embaixadora do kawaii
O lado dark do kawaii
Harajuku: a meca do kawaii
Pink ou Punk: a banda que quer democratizar o kawaii
Notícias estranhas do mundo Hello Kitty
O mundo é kawaii: aceita

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ATUALIZAÇÃO 30/09/2019 às 16h48: GENTEEE, eu esqueci um detalhe muito genial desse novo momentinho Sailor Moon. Kevin Germanier, estilista egresso da Central Saint Martins (a escola de moda inglesa que nos deu tantos talentos como Alexander McQueen, Stella McCartney e John Galliano) e finalista do Prêmio LVMH desse ano, fez uma coleção de spring 2020 apresentada em showroom em Paris inspirada na Sailor Moon para a marca que leva seu sobrenome!

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Supercolorida sem ser literal

Uniforme de super-heroína fashion!

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Furos com franjas cheias de brilho

São os ferimentos das batalhas!

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Glamourosaaaa

Eu AMEI esse vestido

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